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Outubro 30, 2009 · Deixe um comentário
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Ceviche
Outubro 26, 2009 · 4 Comentários
Tá quente né? Não tem coisa melhor do que um prato refrescante como o ceviche num dia assim! Bom, agora a cidade está cheia de restaurantes peruanos e nem é mais tão novidade, esse prato, mas o que é bom dele é que é ultra fácil e rápido de fazer e dá pra inventar várias versões. Outro dia eu vi no Jamie Oliver uma com romã. Parecia bem bom e ainda por cima ficou lindo com a cor de sangue das bagas da fruta salpicadas por cima. Hoje eu fiz uma versão bem manjada, mas só copiei um detalhe da do Jamie, o raíz forte. Como nunca vi raíz forte fresco por aqui (alguém sabe onde tem?), comprei um vidrinho de conserva mesmo. Funciona, mas não vale colocar muito, é bem pouquinho mesmo.
Muita gente acha que ceviche é um prato demorado, que tem que deixar o peixe marinando durante horas. Nada disso. É quase instantâneo, em 2, 3 minutos depois de colocar o suco de limão no peixe, ele já começa a “cozinhar” a frio. Então é assim. Compre um peixe que vc goste, de preferência de carne branca e bem fresco. O ideal é comprar inteiro e cortar os filés, assim na hora de escolher o peixe, vc consegue distinguir melhor se o peixe está bem fresco ou não. Mas se tiver preguiça de cortar os filés como eu hoje, compre os filés já cortados numa peixaria de confiança. O meu peixe escolhido de hoje foi um linguado.
Antes de mais nada, lave bem o limão siciliano e raspe a casca com um zester. Lembra do zeste de limão do post sobre chermoula? Então, reserve o zeste e corte os filés de peixe em tiras finas (+ ou – 5 mm) e coloque-as numa tigela. Esprema o suco do limão siciliano sobre o peixe. Você vai ver que em questão de minutos a textura e a cor do peixe irá mudar. Tempere com sal marinho e misture.

Enquanto o peixe está marinando e “cozinhnando” com a ação do limão, corte a cebola roxa bem fininha, tem que ficar transparente de tão fina, porque se não fica meio desagradável sentir aquela textura grossa da cebola. A cebola roxa é mais docinha do que a branca, mas quem não gosta de sentir o picante dela, pode deixar as tiras de molho em água fria por uns minutos.

Agora é só arrumar os peixes no prato, temperar e decorar! Não é mega fácil? Eu decorei o meu ceviche com as cebolas roxas, bastante folha de coentro, um pouquinho de raíz forte, o zeste de limão siciliano, pimenta-do-reino verde e um bom azeite extra virgem.

Insistindo, não deixe o peixe muito tempo marinando no limão, é bom servir o quanto antes, bem fresquinho mesmo. Ah, e a versão original peruana, leva “leche de tigre” na marinada, que é um caldo de peixe com uns temperos, além do limão, mas fica muito bem assim só com o limão também. Mais fácil também né
Uma curiosidade: o chef peruano Gastón Acurio disse uma vez numa palestra que o ceviche tinha origem japonesa. O Perú é um país que, como o Brasil, recebeu muitos imigrantes japoneses e aparentemente o sashimi deu origem ao ceviche de hoje. Talvez o escabeche vindo da Espanha e o sashimi tenham se fundido no Perú e nasceu o ceviche.

esse é o raíz forte em conserva que eu usei. não confundir com o wasabi.
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Oiticica em chamas
Outubro 19, 2009 · 2 Comentários
De todas as análises e reflexões que li sobre a perda de grande parte das obras de Hélio Oiticica por um incêndio na semana passada, essa do Fabio Cypriano da Folha de SP foi para mim a mais, vamos dizer, iluminada… Fez-me pensar no quanto o mercado da arte pode destruir uma obra artística. Talvez os parangolés estavam pedindo para serem queimados, já que estavam mofando dentro de um quarto esperando ser chamado por algum museu para serem pendurados feito fantasma. Talvez aquelas “originais” já estivessem destruídas antes mesmo do incêndio…
“Por mais triste, lamentável e trágica que possa ser, a perda de praticamente todo o acervo do artista Hélio Oiticica representa, finalmente, o fim do fetiche pelo material em suas obras e a libertação de suas ideias.
Oiticica foi um dos mais originais e importantes artistas do século 20. Sua defesa em romper os limites entre arte e vida foi das mais radicais, mas apenas nos últimos 20 anos passou a ter o merecido reconhecimento e repercussão.
Dois momentos fundamentais nesse percurso foram a Documenta, em Kassel (Alemanha), em 1997, que mostrou muitos de seus projetos e obras, e a 27ª Bienal de São Paulo, em 2006, organizada por Lisette Lagnado a partir de conceitos do artista, mas que já nem exibiu objetos do artista, para atestar que suas ideias estavam proliferadas no circuito da arte.
No entanto, enquanto suas ideias ganhavam importância, um certo desvio de suas propostas também crescia. Oiticica queria que os Parangolés, um de seus mais importantes conceitos, que tinham nas capas uma de suas materializações, fossem usados por todos.
No entanto, o fetiche pelo original -que em seu caso é o menos importante, acabou dominando e em muitas mostras essas capas eram vistas penduradas como tristes espectros de algo muito mais vital.
Do ponto de vista do mercado, algo semelhante ocorria. As obras passaram a subir de preço exponencialmente, enquanto para o artista, durante sua vida, isso não era o fundamental, e seu trabalho passou a ser engessado naquilo que justamente ele criticava: o objetual.
Claro que é inacreditável que tudo tenha se esvaído dessa forma, até porque é a segunda vez que um incêndio destrói um acervo importante no Rio: foi assim que grande parte da coleção do Museu de Arte Moderna do Rio foi perdida, em 1978.
Claro que é lamentável que o precioso acervo de Oiticica não estivesse preservado da forma como merecia, numa instituição, mesmo que já existisse o Centro de Arte Hélio Oiticica, criado pela Prefeitura do Rio, palco de recentes polêmicas.
Durante um bom tempo, parte do que se queimou esteve lá armazenado e poderia estar a salvo. Mas isso faz parte da precariedade institucional que é típica no Brasil e das dificuldades que envolvem herdeiros em casos do tipo.
Recentemente, o Ministério da Cultura havia iniciado contatos para a criação de um museu Hélio Oiticica. Mas, essa institucionalização, se por um lado seria fundamental para preservar sua memória, poderia representar um risco ao institucionalizar sua obra, algo sempre contestado pelo artista.
Em Porto Alegre, artistas que participam da 7ª Bienal do Mercosul lamentavam ontem a perda desse acervo, mas também comentavam que parecia ser uma estranha vingança pelo tratamento que sua obra vinha ganhando.
Agora, se já não há mais original, então todos podem criar seu Parangolé. Felizmente, grande parte de seu acervo foi digitalizado e encontra-se disponível no site do Itaú Cultural, num dos mais importantes projetos de memória da arte brasileira. Os originais -e são milhares deles, pois tudo o que Oiticica pensava era obsessivamente descrito em seus cadernos- podem estar queimados, mas conseguiram sobreviver na internet, onde todos podem ter acesso, como o artista queria que fosse sua obra.” (Fabio Cypriano | Folha de São Paulo)

parangolé morto (ou só a sua casca)

parangolé vivo
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Luanda em Bordeaux
Outubro 15, 2009 · 2 Comentários
Fazer uma ida e volta SP -> Bordeaux em 4 dias realmente foi meio intenso. E ainda na volta, fui direto do aeroporto ao aniversário de um amigo… só no dia seguinte é que a maratona acabou. Mas em compensação o corpinho também se acabou… Então já que não tenho mais cérebro pra escrever, aqui vai a minha viagem só em imagens. (Talvez amanhã eu resolva colocar umas legendas…)
Para saber melhor sobre o evento, entrem aqui. A exposição está incrível mesmo e a programação angolana do dia 10/10 com o teatro, conferência, gastronomia e música, foi tudo muito bom














































































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Bordeaux
Outubro 8, 2009 · Deixe um comentário
Cheguei hoje em Bordeaux para a inauguração do EVENTO BORDEAUX 2009, mais precisamente para acompanhar a LUANDA, SMOOTH AND RAVE, um projeto angolando dentro do evento bordalês. Acompanhem neste blog que estou montando junto com a Claudia Veiga, o desenrolar da exposição + eventos culturais (teatro, dança, conferência, gastronomia, música).
Que cidade linda. Ela foi totalmente restaurada recentemente e passou por uma reurbanização muito bem feita. Estou passada porque a bateria da minha camera chegou sem carga, não consegui fazer nenhuma foto hoje… Amanhã preciso sem falta comprar o adaptador do meu carregador… Depois que conseguir fazer isso, vou encher aqui de fotos.
A exposição está incrível. É arte contemporânea angolana dentro do Grand Théâtre, que tem uma arquitetura neo-clássica do século 18, toda restaurada, cheia de dourados e retratos e esculturas. O contraste entre dois universos. Principalmente quando se sabe que a cidade de Bordeaux se enriqueceu do açúcar da época da escravatura, as obras que estão na exposição se tornam ainda mais releveantes, notadamente as mais polêmicas como as do Nástio Mosquito.
Agora já é quase uma da manhã, cheguei hoje depois de 12 horas de vôo sem conseguir dormir, então, vou me aprofundar mais sobre esses assuntos (que super merecem) numa outra altura. Amanhã tem mais! Amanhã é a inauguração do próprio EVENTO 2009 e sábado é o nosso dia.

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Etiquetado: Bordeaux, Cláudia Veiga, EVENTO 2009, Fernando Alvim, Fundação Sindika Dokolo, Luanda, Luanda Smooth and Rave, Nástio Mosquito
Luanda, Smooth and Rave
Outubro 5, 2009 · Deixe um comentário

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EVENTO 2009 bienal de arte e urbanismo de Bordeaux
Setembro 29, 2009 · Deixe um comentário
A Fundação Sindika Dokolo participa do EVENTO 2009 (09/10 – 18/10), uma bienal sobre arte e cidades (“Le Rendez-vous Artistique et Urbain de Bordeaux”), que tem a proposta de discutir nesta primeira edição a “intimidade coletiva”.

Com o projeto LUANDA | SMOOTH AND RAVE, a Fundação Sindika Dokolo propõe mostrar a cidade de Luanda através do olhar dos artistas (fotografia, video, arquitetura, dança, teatro e música).
“Pretendemos abordar a cidade de Luanda, numa perspectiva esférica e mutante, sem ter necessariamente um ponto de observação fixo.
Este projecto orgânico e emocional propõe uma plataforma que assenta na ausência de um epicentro de análise, permitindo observar as mutações da história recente de uma cidade generosa e inclusiva.
As problemáticas da percepção histórica, política e cultural abordadas pelos artistas, traduzem uma estética onde as imagens se tornam vectores culturais transformando-as em cartografias emocionais e poéticas da cidade.
Os artistas propõem em diversas disciplinas e mediuns uma leitura autónoma, livre e sensível da trajectória temporal e híbrida da cidade nação.
A reorganização do caos e a compreensão da metamorfose.
A trajectória de uma suave utopia contextualizada numa realidade frenética.”
Os artistas que participam são Bamba, Ihosvanny, Paulo Kapela, Kiluanji, Chilala Moco, Nástio Mosquito, N’Dilo Mutima, Jorge Palma, Pocas Pascoal, Nguxi dos Santos, Orlando Sergio + Paulo Azevedo, Marita Silva, Cláudia Veiga, Yonamine e terá também uma programação de artes cênicas.

Entrevista com o Fernando Alvim, curador de LUANDA | SMOOTH AND RAVE, aqui.
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© Sachi