Abdul Qadim Haqq

haqq2Eu conheci o Haqq em Tokyo, no inverno de 2002. Mais precisamente em Shibuya, junto com outros membros do UR. Mas foi quando eu, mega influenciada pelo encontro como um todo, fui a Detroit na primavera seguinte é que a gente ficou mesmo amigo. Todo ano quando chega o mês de maio eu lembro do DEMF, o festival de música eletrônica de Detroit, que acontece sempre nessa época, que tanto me marcou naquele ano de 2003. Tanto marcou que eu tive que repetir a dose no ano seguinte. Foi quando revi o meu amigo que estava com uma exposição na sede da Submerge (esse endereço que nos traz tantas lembranças, né, Dani Lang?). Esse meu encontro com Detroit, sua música e seus incríveis habitantes é um capítulo a parte. Terei que fazer um post só sobre isso. Hoje vou falar sobre um importante ator da cena de techno, mas que raramente tem o seu nome posto em evidência, pois ele não produz música nem é DJ.

Haqq e eu na exposição dele na Submerge em 2004. A arte da esquerda se chama The Muse of Silence e ela está agora na minha casa :)

Haqq e eu na exposição dele na Submerge em 2004. A arte da esquerda se chama The Muse of Silence e ela agora se encontra na minha casa🙂

Mas tem sua arte estampada em vários discos importantes da história do techno. O Haqq é o Abdul Qadim Haqq, artista gráfico de Detroit que, desde que conheceu Derrick May em 1989, criou as artes dos discos de selos como UR, Transmat, Planet E, R&S, etc. A capa que ele fez para o disco do Drexciya (Neptune’s Lair) é famosa e se você é fã de Detroit Techno, com certeza já pôs as mãos em muitos dos discos com sua arte. Alguns deles são o Ploy do Maurizio, os do Red Planet, o primeiro Interstellar Fugitive, com os retratos dos membros do UR tipo WANTED, e incontáveis outros do UR como o Analog Assassin, Knights of the Jaguar, Vintage Future, Illuminator, etc, etc.

montagem

O Haqq respondeu a minha entrevista depois de voltar da turnê de lançamento no Japão do seu mais novo projeto, o artbook/CD The Technanomicron volume 1. Por enquanto só foi lançado no Japão, mas ele gentilmente me mandou um exemplar como presente de aniversário🙂 É um CD compilação com 11 faixas de techno de Detroit e um livreto com uma história sobre os Technolords, iniciando por Juan Atkins. l1000281l1000287l1000289

Sachi: Você está comemorando 20 anos de carreira artística esse ano, não é? Qual foi o primeiro disco de techno do qual você ilustrou a capa?

Haqq: Sim, mais para o final desse ano será o meu 20º aniversário de trabalho em artes visuais relacionadas ao techno. No outono de 1989 eu comecei a trabalhar no “The Beginning” do Derrick May.

Você acabou de lançar o artbook/CD The Technanomicron no Japão. Pode explicar pra gente como começou esse projeto?

Eu tive a idéia do conceito básico anos atrás. Eu queria fazer uma estória épica sobre as pessoas envolvidas com o techno. Falei a respeito com o Derrick May em 1995, acho. E em 2005 eu tive a inspiração para tentar tornar o livro uma realidade.

Assim como nesse projeto, você muitas vezes cria estórias para a sua arte. Ou cria uma arte para as suas estórias. Suas estórias são muito inspiradoras. Como você as concebe e o que te inspira?

É muito difícil dizer como eu concebo as minhas estórias. Todas elas começam com um conceito básico, geralmente uma ficção científica ou uma idéia, uma imagem ou um símbolo histórico. História, cultura, ficção científica, fantasias e anime me inspiram muito.

Code Name: Analog Assassin
Identity: Unknown
Weapon of choice: Sound
Equipment: Stealth Suit, Soundwave Guns, and Analog technology

The Analog Assassin has been trained in all forms of unarmed combat and silent stalking techniques. The Analog Assassin has also trained and uses weapons that make little or no sound, such as; the bow, crossbow, blowgun, throwing knives, shurikens samurai swords, etc…

His weapons of choice are his sonic blasters or soundwaves guns. Based on the vibrational technology of an ancient race, the Analog Assassins sonic blasters can emit a wide range of soundwaves. From waves that slightly alter vibrational frequencies to waves that shatter and disrupt.

By integrating the discarded technology from bygone eras, the Analog Assassin creates analog rhythms for his soundwave guns. This analog technology included; the Prophet 5, OB-8, Jupiter-8, 909, 808, and the ARP-Omni. The analog rhythms created by this analog technology is impossible to be duplicated by the programmers even with their latest, most advanced musical equipment. With his soundwave guns the Analog Assassins rhythms devastate weakminded programmer based frequencies.

His stealth suit is based on that same ancient vibrational technology. The suit is composed of Dark Metal mesh derived from Dark Matter. It is powered by Dark Energy. The suit can absorb all sound rendering the Analog Assassin silent and deadly. His stealth suit also redirects the vibrational spectrum of white light, making the Analog Assassin invisible to the Human eye. The suits Thermal Dispersal System (TDS) disperses the body heat of the Analog Assassin making him undetectable to Infrared sensors.

With his multiple skills, techniques and his deadly sound weapons, the Analog Assassin has wreaked havoc on multiple programmer installations throughout the solar system.

Because of his stealth suit and stalking techniques, our surveillance agents have only been able to catch short glimpses of him during his missions, often vanishing before he can be detected. All surveillance equipment has been rendered ineffective because of his stealth suit. Most can only witness the aftermath of his missions.

With the information, it is evident that the Analog Assassin is our newest and possibly one of our most deadliest foes. This has been a Galactic Bureau of Investigations intelligence report. YOU HAVE BEEN WARNED!!

Text written by The Ancient

Eu fiquei particularmente comovida com a estória do Illuminator. Você pode contar pra gente sobre ela e a inspiração por trás dela?

O Illuminator é sobre um homem descobrindo o real significado da vida. Indo além de sua vida moderna e retornando à sua raiz e construindo blocos de humanidade. Essa estória contém muitos conceitos xamanísticos e de New Age.

Como foi feita a seleção das faixas do CD compilação que vem junto com o artbook? Foi você que selecionou? Você fez as artes dos discos nos quais as faixas estão contidas?

Sim, eu fiz a seleção. A maioria delas estão nos discos que eu ilustrei quando foram lançadas pela primeira vez. The Beginning, Elements, Bug in the Bass Bin e Analog Assassin são faixas que foram lançadas em discos com a minha arte.

Você acaba de voltar da turnê no Japão para promover o seu artbook/CD com o DJ/produtor Alton Miller. Pode contar pra gente como acontecem os live paintings que você fez nos clubes? Não é a primeira vez que você faz isso não é? A performance acontece durante as festas enquanto o DJ está tocando?

Sim! As performances de live painting foram muito legais. Todas as festas da turnê foram excelentes. O Alton Miller fez sets maravilhosos todas as vezes. As live paintings geralmente são sobre os meus projetos anteriores. Eu fiz várias pinturas do The Martian e uma do Technolord.

o poster da turnê

o poster da turnê

Eu sei que você ama o Japão. Conta pra gente como é a sua relação com o país?

É o único lugar onde eu me senti respeitado e admirado como artista. Eu nunca senti isso aqui em Detroit ou na maioria das minhas visitas à Europa. Espero que isso mude no futuro, mas até agora essa tem sido a minha experiência. Fora isso, eu sempre gostei dos anime e mangá desde criança.

Você escuta techno na sua casa também? Que outros tipos de música você gosta de ouvir?

Sim, eu escuto techno, mas também escuto Jazz (geralmente Afro-cubano), Hip-hop (geralmente old schoool ou underground), Rock (geralmente clássicos) e Heavy Metal (geralmente dos anos 70 e 80 e os mais pesados).

Ó! Fiquei passada com Heavy Metal! Nunca imaginei… O Haqq é um fofo, uma pessoa muito gentil e única. É um privilégio mesmo ter-lo conhecido e eu realmente espero poder voltar a Detroit pra rever-lo em seu jardim. Me lembro dele plantando cenouras no jardim de sua casa lá em Detroit! Uma cena totalmente bucólica no meio daquela Motor City🙂

3 Respostas para “Abdul Qadim Haqq

  1. Tudo de bom! ;]

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