Bienais, Bienais, Bienais…

Demorei pra postar como foi a conferência na Bienal. É que eu sou adepta do slow-blogging, kkkk. Diz que agora é moda, nos moldes dos Slow Food, Slow isso e aquilo, é um movimento de bloggers sem pressa, que se distancia do imediatismo dos blogs usuais. Sem saber, eu fazia parte do movimento. (é claro que não tô nem aí pra movimento nenhum. eu só não tenho tempo mesmo pra postar todo dia!)

Bom, a conferência de sábado passado na Bienal foi sobre como pensar e realizar uma Bienal no meio de tantas outras Bienais e Trienais que pipocam no mundo todo. Parece que existem mais de 200! Esta fazia parte de um ciclo de 6 conferências para refletir e discutir esse modelo de mostra artística, inclusive, eu acho, como um meio de encontrar um caminho para a própria Bienal de SP que se encontra numa espécie de crise.

Os conferencistas eram o Fernando Alvim, idealizador da Trienal de Luanda, o Richard Armstrong, hoje diretor do Guggenheim e durante 16 anos diretor do Carnegie Museum of Art em Pittsburgh onde realizou as mostras da Trienal Internacional de Carnegie, Gabriel Pérez-Barreiro, curador da última Bienal do Mercosul em Porto Alegre e Justo Mellado, realizador da Trienal do Chile, com Ivo Mesquita como mediador.

Richard Armstrong, Fernando Alvim, Ivo Mesquita, Justo Mellado e Gabriel Pérez-Barreiro

Richard Armstrong, Fernando Alvim, Ivo Mesquita, Justo Mellado e Gabriel Pérez-Barreiro

Essa Bienal, tendo sido tão criticada (eu mesma dei umas detonadas… mas o Fernando Alvim me alertou sobre o perigo de tanta crueldade, tanta crítica negativa sem uma análise mais aprofundada direcionada a um fenômeno que é da própria sociedade, uma bienal é fruto da própria existência humana dentro daquela sociedade. Foi o que entendi que ele quis dizer e agora super concordo. Só que ainda mantenho muitas críticas: como assim, a Bienal não se manifestou pra tentar tirar a menina que está presa por ter pichado o 2º andar do vazio?? A menina está presa na Penitenciária Feminina Sant’Ana no Carandiru há 40 dias por ter pixado uma parede que só precisou depois ser pintada de branco novamente. Bem absurdo, isso. E como fica o tema “em vivo contato”?), talvez tenha um grande mérito por ter tido a iniciativa de refletir e discutir sobre o seu modelo de existência, ouvindo as experiências de outras Bienais, cada qual com suas especificidades.

Realmente, as experiências dos 4 conferencistas eram bem distintas. A Trienal de Carnegie, por ser uma Trienal de um museu (da cidade natal do Andy Warhol, por sinal), a palestra de Armstrong foi mais uma apresentação sobre o próprio museu, sua história e suas particularidades, mais do que propriamente a Trienal em si.

A Trienal de Luanda, por ser uma Trienal concebida por um artista, na capital de um país que acabava de sair de uma guerra, onde toda a população tinha sede de arte e cultura e de refletir sobre si-mesmos através da arte. Também por ser uma Trienal que tem data marcada para terminar, sua duração é de 3 edições, sendo a de 2010 a segunda. Isso é porque a Trienal de Luanda não se considera um fim e sim um meio, um processo, um caminho para aprofundar a prática da arte contemporânea na sua cidade. Sua extensão será um belíssimo projeto de um centro cultural de arte contemporânea em Luanda. Essa Trienal tem também como característica não acontecer apenas durante o seu tempo de duração de cada edição, que é de 3 meses, mas a sua organização realiza centenas de outros eventos pré-Trienal como preparativo.

Fernando Alvim falando sobre a Trienal de Luanda, que teve mais de 40mil visitantes na sua primeira edição. Olha quanta gente!

Fernando Alvim falando sobre a Trienal de Luanda, que teve mais de 40mil visitantes na sua primeira edição. Olha quanta gente!

A Trienal de Luanda realmente me parece ter sido (por enquanto só teve uma, a primeira) uma experiência emocional, com uma certa sensação de mobilização de toda a sociedade, da iniciativa privada e do governo (este entrou com apoio moral, pois quem bancou os custos foi inteiramente a iniciativa privada, permanecendo uma Trienal independente do governo). Como eles não tinham locais adequados para as exposições, tiveram que localizar espaços vazios e abandonados, abordar seus proprietários e convencê-los com a proposta de reforma-los para o uso da Trienal e depois devolve-los reformados. O aluguel seria a reforma. Todos toparam e apoiaram essa iniciativa e a organização fez um trabalho incrível de restauração dos espaços.

slide de um dos espaços restaurados para a Trienal de Luanda

slide de um dos espaços restaurados para a Trienal de Luanda

Assim como a Bienal do Mercosul, a Trienal de Luanda coloca bastante ênfase nos programas educativos, onde atenderam mais de 100 escolas, fazendo um acordo com as empresas de ônibus que transportavam as crianças para visitar a mostra.

Fernando Alvim falando na frente de uma imagem sobre o programa educativo da Trienal de Luanda

Fernando Alvim falando na frente de uma imagem sobre o programa educativo da Trienal de Luanda

ass artes cênicas como música, teatro e dança também tem presença na Trienal de Luanda

ass artes cênicas como música, teatro e dança também tem presença na Trienal de Luanda

A Trienal do Chile, por sua vez, me pareceu distinta por ser uma Trienal de um país inteiro e não de uma cidade, como é mais usual. O Justo Mellado explicou a enorme dificuldade de se fazer uma mostra de arte cotemporânea num país onde, segundo ele, quase não existe colecionador e tampouco museu de arte contemporânea. Também por ser um país comprido e estreito, de Santiago para o Norte é uma coisa e de Santiago para o Sul é uma outra história, parece. Ele enfatizou muito o conservadorismo daquela sociedade, o que confirma a reclamação que eu ouvia do meu amigo Daniel que morou lá durante 3 anos. De fato Santiago não combina muito com arte contemporânea, mas acho que esse contraste é que é interessante e com certeza se eles forem persistentes, pode acontecer coisas incríveis, de expressão contemporânea, talvez principalmente nos locais mais afastados das cidades, naquelas paisagens incríveis que eles têm lá.

Uma resposta para “Bienais, Bienais, Bienais…

  1. Adorei slow blogging. Em janeiro quero estrear slow life…kkkk
    Um problema desta Bienal é se por um lado queria expor um modelo em crise, por outro ficou no meio do caminho. Acho importante mostrar que o modelo gerencial está ultrapassado, mas temos poucas chances de ver o estado da arte no Brasil e no mundo que tem o alcance da Bienal. O modelo está em crise, mas a arte não.

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